Todos do escritório já tinham ido embora, estava tudo escuro, mas Felipe ainda estava lá, concentrado para terminar seu serviço acumulado. Já passavam das 20h, seus olhos estavam pesados e seu corpo dolorido, pois passou o dia na frente do computador, coçou os olhos, esfregou o rosto e espreguiçou-se enquanto bocejava. Escutou um barulho vindo da recepção, achou estranho e decidiu verificar, foi andando com cautela até a porta de sua sala e vagarosamente abriu a porta, viu um vulto na outro lado da sala, engoliu a seco e decidiu ligar a luz e tomou o maior susto, era o zelador do prédio.
-Nossa que susto! – exclamou Felipe.
-Calma garoto! Só estou verificando, pois a porta estava aberta – disse José o zelador do prédio com um sorriso estampado no rosto.
Os dois riam juntos, e os mesmo foram logo embora quando perceberam uma terceira risada que vinha do corredor, que parecia ser infantil, os dois assustados correram até o lá, mas era só um corredor vazio.
-O que foi isso? – disse Felipe trêmulo
-Não sei, mas não é bom sinal, melhor você ir descansar um pouco – disse José com uma expressão estranha.
Felipe foi prontamente até a sua mesa, salvou seus trabalhos e desligou o computador. Quando foi sair José já não estava mais lá, enquanto Felipe descia do 9º andar ficou pensado o nas palavras de José, parecia que ele sabia de alguma coisa, ele sentiu um calafrio o elevador chegou ao térreo José já estava em seu posto de trabalho como de costume e o rapaz se despediu.
Foi pra casa exausto, chegando em seu apartamento tomou banho, preparou seu jantar, assistiu o noticiário e tentou dormir mas aquele risada e as palavras do zelador ficaram e ecoando por horas e horas nos pensamentos do pobre garoto. Ele acordou quase que atrasado para o trabalho, saiu sem tomar café, pegou o jornal a porta de seu apartamento e reparou uma boneca jogada no fim do corredor, achou estranho, pois em seu prédio não morava nenhuma criança , contudo a pressa fez com que ele não se preocupasse com a tal boneca.
Depois do ocorrido cada vez mais surgiam problemas em seu trabalho fazendo com que Felipe fizesse horas-extras com mais frequência. Ele começo a ouvir coisas quando estava sozinho, passos no corredor, sussurros incompreensíveis, cala frios, houve até umas vez q ele jurou ter sido tocado por alguém. Isso estava deixando Felipe louco, ele sentia muito medo, mas não tinha ninguém para contar, já que era um rapaz solitário. Em um dia qualquer Felipe sente a estranha sensação de estar sendo seguido na sua volta pra casa, e cada quadra que passa isso vai aumentando, até ele ouvir:
-Ele vai te matar! – Uma voz serena de uma garotinha no pé de seu ouvido.
Ele olha pra trás assustado e vê a mesma boneca que viu no corredor de seu apartamento, mesmo com medo ele pega a boneca, a analisa e encontra uma etiqueta artesanal escrito “Cristiane Souza”. Curioso ele se apressa pra chegar em casa para pesquisar este nome.
Depois de muita pesquisa Felipe descobre que Cristiane era uma criança que foi brutalmente assassinada por um psicopata responsável por mais de 20 mortes e que está foragido. O que mais assustou Felipe foi ver em umas das fotos Cristiane segurando a boneca, quando se da conta a boneca não estava lá. Apavorado ele vira a noite procurando mais informações que possam levar a uma resposta do que está acontecendo com ele e principalmente pra livrá-lo deste pesadelo que o atormenta.
E a cada dia no serviço mais coisa estranha acontece, ele escuta a garota falando coisas como “fuja”, “ele vai te matar”, “corra enquanto é tempo” e coisa do gênero.
Ele resolve falar com José, começa a contar tudo o que está acontecendo com ele, quando Felipe cita Cristiane a expressão de José muda, a inquietação e evidente e Felipe questiona:
-Conhece Cristiane Souza??
-N... Não, não conheço ninguém com esse nome!! - diz José hesitante.
-Tem certeza?? - Insiste Felipe.
-Chega garoto, isso é sua imaginação – retruca José rude.
Sem entender o comportamento de José o garoto foi pra casa inquieto, fez sua rotina noturna e foi dormir, quando acordou achou estranho por ter passado uma noite tão bem. Até ele sair no corredor de seu prédio, ele vê claramente Cristiane segurando sua boneca no fim do corredor.
-Fuja! Por favor, fuja! – Ela grita assustadoramente e some.
Ele vai para o trabalho apavorado e mais uma vez fica até tarde, por volta das 20h ele escuta um barulho na recepção como nos primeiros acontecimentos atípicos, tenta ligar a luz, antes que pudesse ele é golpeado na cabeça e começa a ser espancado, as luzes se acendem e é José quem dispara os golpes contra ele, já quase não podendo se mexer Felipe vê um cutelo na mão de José,ele prepara-se para dar o golpe fatal e num vislumbre antes ele vê Cristiane chorando dizendo:
-Eu tentei avisar .
Os mortos às vezes só querem te avisa de algo ruim, ou querem ajuda. Às vezes precisam só serem ouvidos. Então cuidado qual será próxima vitima de José, ele ainda esta a solta.