-O que eu devo fazer? - era o que mais se repetia na cabeça de Emeline, ainda abraçada com seu padrasto no canto escuro do porão.
Alguns passos fortes ameaçaram os dois ali em baixo, e ouvia-se uma voz grossa falando alto acima
-Onde está você? É a sua vez de morrer meu querido
Emeline ficou gelada e arrepiada na nuca, o frio do porão forçava ela tossir mas estava fazendo força para segurar. Seu padrasto levantou e apanhou a peixeira do chão olhou para Emeline decidido e disse
-Tenho que matar esse homem nem que custe a minha vida, não posso deixar você minha pequena sendo mais um alvo dele.
-Espere - disse Emeline segurando na manga do casaco de Henry - Eu tenho um plano
Ele voltou e se sentou ao lado da garota prestando a atenção em cada palavra que ela dizia, concordou com tudo o que ela disse
-Mas você tem certeza que vai dar certo? - pergunta Henry
-Eu não tenho certeza, se der errado nós dois morremos mas se der certo somente um morrerá - responde Emeline decidida
-Certo, vou seguir o que você disse e boa sorte para nós.
Com o plano em mãos Emeline não sabia se tinha algum cúmplice do homem então carregava um plano 'B', não queria que nada desse errado, mas já sabia que a vida de seu padrasto estava confinada mas era isso que planejou e não poderia mudar agora.
-Eu vou subindo as escadas na frente e você vem colada em mim, certo? - diz Henry
-Certo! - confirma Emeline
Os dois foram subindo as escadas de madeira mofadas sem fazer algum barulho, Henry abre lentamente a porta e faz uma vistoria ao arredor e então dá um sinal para Emeline correr até o quarto da frente, os dois escutam passos vindo da cozinha e então Henry diz sussurando
-Só pode ser ele
-Corre até o quarto da mamãe que eu ficarei aqui esperando - diz Emeline
Ele corre até o quarto de sua mulher e Emeline faz totalmente ao contrário do que disse ao padrasto, ela corre até a sala e se depara com aquele sangue todo no chão novamente, fica pasma mas consegue se controlar, seu padrasto vem logo atrás segurando o braço da garota
-Ei, o que você esta fazendo? - sussurra tão baixinho que nem Emeline escuta direito
-Estou encontrando um ponto pra me esconder se der errado, por que saiu de seu posto? - diz Emeline olhando atentamente para a cozinha onde os passos aumentam mais
-Não dá mais tempo
Então Henry corre até a parede e espera o ladrão aparecer na porta, Emeline se abaixa devagar atrás de um vaso grande de palmeira decorativa, e então os dois são surpreendidos. O homem sai da cozinha sabendo que os dois estava ali e grita
-Está aqui então resolveu aparecer pra mim? Sua morte vai ser rápida prometo!
-Por que está fazendo isso? Não basta apenas roubar as minhas coisas e ir embora daqui? - pergunta Henry com a peixeira na mão tremendo
-Há há, eu tenho meus motivos, e agora onde está a minha filha? - Henry fica pasmo
-Fi... filha?
-É a minha filha, Emeline. Aquela desgraçada escondeu que estava grávida e fugiu, nunca me deu uma explicação, foi então que eu vi ela na rua e segui até aqui. Investiguei e vi que tenho uma filha com ela e quero saber onde ela esta! - diz o homem decidido apontando a arma para a cabeça de Henry
-Ela não está aqui, saiu com algumas amigas - diz Henry tremendo
-Não minta para mim, poupe sua vida e me diga logo onde ela está!
Nesse momento Emeline está com o coração na garganta e não acredita que seu pai verdadeiro está na sua frente apontando uma arma para o homem que esteve com ela desde que nasceu, então decide manifestar-se.
-Não, ela não... - Emeline interrompe o padrasto
-Estou bem aqui, papai - diz a garota levantando lentamente atrás da imensa palmeira decorando o canto da sala
-Meu Deus! - o homem olha emocionado para a garota ainda com a arma apontada na cabeça de Henry
-Surpreso? Então a desgraçada da minha mãe me escondeu de você, será que ela também não tinha os motivos dela? E você a matou sem menos ouvi-la? - diz Emeline com uma voz fria olhando fundo nos olhos do homem
-Emeline você não entende o meu desespero! - diz o homem que se diz ser pai da garota
-E preciso entender? E o desespero da minha mãe, não importa mais? O que você quer? - questiona Emeline
-Quero ficar com você minha pequena - responde o homem
-E você já perguntou se eu quero ficar com você? Um homem estranho que vem na minha casa mata a minha mãe e ameaça o homem que viveu com ela a vida toda cuidando de mim e dela, e é para eu largar tudo e ir com você? Por favor não sou sua pequena, não me chame assim - sobe um nervosismo e ódio na cabeça da garota e ela começa a tremer
-Você tem que ir comigo, não sou estranho eu sou o seu pai - diz o homem tentando convencer a garota
-Não está se ajudando, abaixe essa arma e vá embora daqui, você já estragou parte da minha vida quer estragar mais? - diz Emeline apertando as mãos para não correr na direção do homem
-Não vou embora daqui sem você minha pequena - diz o homem voltando o olhar para Henry - Você vai comigo e ninguém vai me impedir - ele dá um tiro na cabeça do padrasto de Emeline e ele cai de joelhos no cão jogando a peixeira a cinquenta centímetros da garota
-Não!! - grita Emeline - O que você fez seu maníaco? Eu mandei você ir embora e você faz isso? Porque?
-Foi eu que eu disse antes de sair de casa querida, tudo o que quiser me impedir de ficar com você eu vou derrubar e se preciso irei matar - diz o homem abaixando a arma e a guardando no bolso de trás da calça jeans rasgada e ensanguentada.
-VAI EMBORA DAQUI SEU MALUCO!!!! - Emeline grita chorando - VOCÊ NÃO VAI ME TIRAR DAQUI
-Calma querida não grite estamos só nós dois aqui agora, vamos brincar no parquinho, de boneca, deixe eu te levar para o colégio, te dar presentes!! - diz o homem estendendo a mão chorando e sorrindo
-Eu não vou com você para lugar algum - Emeline da um passo se abaixa e apanha a peixeira na mão - Pois agora a sua hora chegou - e com apenas um golpe Emeline corta o pescoço do homem o matando na hora e espalhando mais sangue no chão.
Ela cai no chão de joelhos larga a peixeira no seu lado e começa a chorar
-Porque????? PORQUE?????? - grita olhando para o teto chorando e soluçando muito - Quero minha mãe de volta! Ela não merecia morrer - se abaixa no chão ensanguentado e não para de chorar.
Emeline levantou-se do chão e foi andando até seu quarto, olhou-se no espelho e viu que estava cheia de sangue sua crise de asma atacou de novo, correu até o criado-mudo ao lado da cama e pegou sua bombinha, depois de se recuperar correu até o banheiro tirou toda sua roupa suja de sangue e ligou a ducha. Precisava ir embora dali, e depois do banho arrumou suas coisas pegou o carro da sua mãe mesmo não sabendo dirigir muito bem, apenas com o que seu padrasto tinha ensinado, sabia o básico de trocar as marchas, frear e acelerar, foi então bem longe dali para nunca mais voltar.
FIM